A TEOLOGIA NO OESTE CARIOCA (Direto ao ponto)

Prefiro começar com este assunto, pela incompreensão que gerou por algumas mudanças não desejadas que foram feitas na publicação.

 Fui solicitado a escrever um artigo para o jornal do Seminário do Oeste Carioca – Teologando. Em virtude do pouco espaço o artigo precisou ser abreviado. Assim o diretor do jornal, achou por bem mudar o título de “A teologia no Oeste Carioca” para “Ditadura de Púlpito”. O jornal já havia sido publicado quando soube da mudança e da abreviação, e, em princípio não achei que fosse problema. Mas quando eu mesmo li o artigo publicado, vi que  saíra totalmente do seu objetivo. Apesar de citar atitudes de ditadura, o objetivo do artigo não era este. Vamos pois, para o artigo original, com o título acima.

Quando penso que há problemas teológicos nos ensinos e atitudes das igrejas da Associação, e nas decisões da Aiboc, parece um tanto difícil alinhavar o assunto, porque aparentemente são assuntos doutrinários específicos das igrejas ou então, simplesmente questões administrativas.

O que é teologia? Resumindo um artigo do Pr. Isaltino G.C. Filho, no jornal Teologando de novembro de 2005 p. 6:  Teologia não é somente um pensamento sobre Deus, ou onde Deus é incluído. Mas a vivência da fé. Onde Deus está presente de uma forma tal na vida do crente que há um diálogo entre ambos. Isto significa que não há teólogos que não vivem a fé sobre a qual discorrem. A teologia é, portanto, uma vida livre, isto é, exercida na liberdade daquilo que crê e que esteja de acordo com o ensino bíblico.

Mas como fazer teologia? A grande questão são os impedimentos na forma de projetar a vida cristã. Falei, na forma de projetar a vida cristã. Por que? Porque cada crente deve ter condições de fazer isso. Ao ouvir mensagens ou participar de estudos, ele deve poder “fazer” a sua teologia e avaliar até o que está ouvindo.

Os principais impedimentos são a ditadura e o legalismo, que de uma forma ou outra escravizam as pessoas. Tanto em questões doutrinárias quanto administrativas. Como batistas  diríamos que nenhum destes impedimentos está presente nas igrejas que pertencem à Aiboc. Mas vejamos:

No primeiro Congresso de Identidade Denominacional, realizado na IB do Méier, no grupo de discussão do qual participei, os líderes e pastores anelavam por uma norma de conduta clara que poderia ser seguida pelas igrejas e pastores. Normas sobre comportamento. Os pastores ouviam tantas queixas de problemas que não sabiam mais o que fazer. O que queriam eram regras claras para serem seguidas. (Um dia um pastor me disse que não cumprimentava membro da igreja que encontrasse na rua usando bermuda.)

Na Assembléia Anual da Aiboc realizada na Pib de Campo Grande, ao falar sobre Plano Cooperativo, perguntei  a um colega o que a igrejs que ele pastoreava havia decidido sobre este assunto. Ele me disse que este assunto não era decidido pela igreja, mas pelo pastor, porque a igreja precisava ser doutrinada. Claro que isto requer uma definição do que é doutrinar.

Não importa a terminologia que se usa para justificar uma ditadura. Não importa a desculpa que se dá para deixar a igreja de Cristo, corpo de Cristo, dirigida pelo Espírito Santo fora de algumas decisões. Continua sendo ditadura ou legalismo. Não se percebe que com esta posição há grandes perdas para o próprio povo de Deus, para a igreja e a denominação. Temos hoje, no próprio Regimento Interno da Aiboc, artigos deliberando sobre questões espirituais. O que não surpreende , pois é um reflexo das regras que precisam ser cumpridas nas próprias igrejas.

Onde não há liberdade de viver a fé na direção do Espírito Santo (João 3:8), não pode haver crescimento, maturação da fé , que só  ocorre pela atuação do mesmo. Augusto Cury, diz que o objetivo de Jesus era “romper o cárcere intelectual dos seres humanos estimulando-os a serem livres no território da emoção. Por isso, expunha suas idéias e nunca as impunha.” (O Mestre da sensibilidade, p.15) Da mesma forma que cada pessoa precisa ser livre para aceitar a divindade de Cristo. “O mestre da escola da vida não estava muito preocupado em corrigir os comportamentos exteriores dos mais próximos, mas empenhado em estimulá-los a pensar e a expandir a compreensão dos horrizontes da vida.” (Op.cit. p. 17)

Qualquer limitaçao impede o desenvolvimento, e impede também a formação da teologia. Isto é, impede aos membros das igrejas de terem uma identidade de fé. Sabendo o que crêem, e no que crêem. Suas vidas, pois, serão dirigidas não por regulamentos , ou normas ou pessoas, mas pela fé viva no evangelho de Jesus Cristo. E esta fé servirá de base para tomar decisões sobre qualquer assunto da atualidade. Não serão joquetes nas mãos de pessoas que tem carisma, pois não é isso que dirige suas vidas. Não seguirão pastores só porque são famosos, pois não é isso que tem peso na sua fé. Não estarão aceitando doutrinas diferentes, porque eles tem na sua fé a teologia que o encaminha para o conhecimento bíblico. Não serão abalados por novidades “espirituais” porque sabem o que é ter comunhão com Deus. E certamente é isto que querem viver.

Certamente é isto que queremos ensinar. João 16:13 a ” Mas, quando viers aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda verdade…” João 8:36 “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

Pr. Helmuth Walter Rosin, membro da IB do Sarapuí, no Rio de Janeiro. (helwaro@ig.com.br)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: