ENTRE ESPINHOS E ROSAS – A VONTADE DE DEUS II (Biografia)

 

Esta parte é a mais difícil de escrever da minha biografia.

Estava trabalhando na igreja, havia crescimento, nisso Deus sempre me abençoou,  apesar de saber que na verdade a bênção alcançou mais os outros do que a mim.  Nestes anos nunca tive problemas com alguém da liderança. Houve  opiniões discordantes, mas esta liberdade era normal na igreja. Ninguém era obrigado a pensar como o pastor.

Houve um seminário sobre seitas, drogas e assuntos assemelhados, na PIB de Bangu, e minha esposa e mais uma irmã foram participar. Minha esposa trabalhava numa escola perto de uma área dominada por um grupo de traficantes, e em virtude disso, volta e meia, havia problemas na escola. Este foi, o principal assunto que a fez participar do seminário. O palestrante a impressionou muito, visto que era uma pessoa que saíra desse meio há mais de dez anos, e neste tempo fazia aconselhamento psicológico ainda, e ao mesmo tempo, ajudava pessoas necessitadas, ligadas a este problema.

Com a concordância da Diretora minha esposa começou a sondar os professores da escola, e ao mesmo tempo a Universidade de Brasília oferecia um curso sobre as drogas. Inclusive eu me inscrevi, mas não pude participar. Depois de algum tempo o grupo começou a funcionar tendo minha esposa como líder. E uma vez por semana o palestrante, (que a partir daqui vamos chamar de João) se reunia com o grupo.

O problema para mim, não eram as drogas, mas os contatos prolongados da minha esposa com o João, seja por telefone, seja pessoalmente. Às vezes um telefonema durava mais de uma hora. Quando voltava do trabalho, a primeira coisa era telefonar para o João, e ela justificava dizendo que precisava informá-lo do que havia acontecido na escola.

Outro problema sério que surgiu com isso, é que eu deixei de ser o confidente dela. Não estava mais na memória dela. Não conversávamos mais. Não deixei o bonde andar simplesmente. Conversava com ela, perguntava se estava apaixonada, ela dizia que não. Pedia para tomar cuidado porque um relacionamento assim era perigoso. Ela dizia que não havia nenhum contato físico.

Fizemos amizade com a família do João. Vieram aqui em casa para almoçar. Nós os visitávamos. Contribuíamos financeiramente para o trabalho que o João estava fazendo. A partir de um certo tempo ela resolveu ter encontros de aconselhamento, ou em grupo, ou numa sala de uma igreja, ou num local público onde não havia riscos secundários.

Mas isto tudo, começou a mexer comigo. Eu não conseguia acreditar que alguém poderia dar tanto valor a outro homem sem que houvesse algo mais. E comecei a sofrer. Inveja, ciúme, solidão. Porque tudo era o João. Ela mudou na igreja. Disse que o João abrira os seus olhos e lhe mostrara que ela era orgulhosa, e me dizia: agora que aceitei Jesus! Ela dizia que a sua comunicação com os membros da igreja era fruto do seu orgulho, porque queria ser admirada. Mas que na verdade não era assim. Era tímida. Ficou triste. Semblante triste, tinha ainda algumas irmãs que conseguiam ter contato com ela, mas a maioria dos membros estava fora do seu relacionamento. E pedia para que eu deixasse o pastorado  naquela igreja.

Num certo momento a situação ficou mais difícil ainda, ela estava triste em casa. Apesar de a vida conjugal estar normal. Pesava cada vez mais. Eu estava cansado, esgotado, sem vontade para nada.

Por cerca de 4 anos estava fazendo  tratamento da próstata. Tudo estava sendo controlado. Até que, por falta de exames, fiquei sem saber da minha real situação. Fui encaminhado para internação duas vezes, sendo que só na segunda fui de fato internado para fazer uma cirurgia de tumor benigno, segundo o médico. Mas por dois anos ele não havia pedido biópsia. O chefe do setor disse que não se pode operar sem fazer exames e saber o que realmente é. Pediu ultrassonografia, com coleta de material para biópsia. Em trinta dias foi confirmado o que eu esperava: estava com câncer na próstata.

Depois de fazer uma cintilografia óssea, descobriu-se que já estava com metástase, tendo um pequeno tumor no osso do ombro esquerdo, além de o câncer já ter atingido o osso ao lado da próstata. (Estou deixando fora os detalhes.) Impossibilitando qualquer cirurgia.

A informação que recebi era que o câncer tinha surgido por problemas emocionais. O que  eu não poderia desmentir. Tendo uma vida sob pressão há alguns anos. Isto foi em maio de 2002.Neste ano em agosto e setembro fiz 38 sessões de radioterapia, sem efeitos colaterais. Continuava pastoreando normalmente. No final de 2003, precisei começar com a quimioterapia, pois os remédios não ajudavam, só me deram uma trombose na perna esquerda, com um coagulamento do sangue em 50 cm da veia.

No final do ano já planejávamos o ano seguinte para a igreja quando tive uma experiência física que nunca havia tido, no pátio da igreja. Pensei que fosse morrer. Clamei ao Senhor e o que eu sentia passou. Na semana seguinte o fato se repetiu, e eu entendi que estava na hora de deixar a igreja.  Fiquei mais três meses, pregando mensagens que já havia pregado, para não me esforçar muito. E concluí, assim, onze anos naquela igreja.

Mas a situação em casa não melhorava. Piorava. A pressão era cada vez maior. E com a quimioterapia, ficava de cama de cinco a seis dias após cada aplicação, sentindo apenas enjôo, sem outras complicações. Fiz cerca de vinte aplicações de dezembro de 2003 a agosto de 2004. Depois que terminei estas aplicações minha esposa achava que eu já estava melhor, e no início de outubro me informou que sairia de casa. Chorei muito. Não tinha nada a ver com a pessoa do João, mas com o que ele ensinava durante as sessões de aconselhamento. A questão de que todos são livres.

Quando ela se mudou para uma outra casa, de uma amiga, eu lhe disse que não importava como ela estivesse, quando ela quisesse voltar eu estaria esperando. E me coloquei à disposição para qualquer ajuda que ela precisasse. De fato, na primeira semana ela ligou para saber se poderia ajudar a acertar a máquina de lavar roupas e consertar o estrado da cama. Peguei minhas ferramentas, e o que mais precisava e fui para lá. Depois do conserto, nos demos os beijos de face, e eu fui para casa.

Não vejo que tenha feito algo excepcional.  Na minha visão qualquer crente deveria agir assim. Quem é filho de Deus, discípulo de Jesus deve agir assim. Ela foi a mulher da minha vida por mais de vinte anos, vou esquecer todo este passado, as alegrias, as tristezas que vivemos juntos, e tratá-la como inimiga? Não. Aliás, Jesus manda amar os inimigos.

Agradeci a Deus quando em janeiro ela começou a se aproximar, e não demorou muito e estava morando em casa novamente. Algumas semanas depois, Ela pediu desculpas e pediu para que eu recolocasse a aliança no seu  dedo novamente. Foi muito bom o momento da volta. Mas eu continuava com câncer. Com mais tempo na cama do que fazendo alguma coisa. O diálogo não se restabeleceu. Ela não era mais a mesma pessoa. E não demorou muito para tudo que estava encoberto, reaparecer. E ela chegou e disse, sem dar oportunidade para o diálogo: “A partir de hoje estamos separados. Eu não vou sair de casa porque preciso de você; e você não vai sair de casa porque precisa de mim.” E eu disse: “mas como?” E ela colocou as regras da nova situação: “Nós vamos dormir juntos, mas você não toca mais em mim.” E assim estamos há algum tempo. Não sei quando vai mudar. Continuo com o câncer, controlado, mas vivo. Pedi a Deus, meu Pai, para tirá-lo, mas Ele não o fez. Certamente tem um propósito com isso. Vivemos em harmonia dentro de casa. Muitas vezes tenho momentos  de dor. De choro, para colocar para fora o que está me atormentando. Mas dói. Dói muito viver assim. A graça e a misericórdia me ajudam a ser amável com ela. A ajudá-la quando precisa. Mas creiam, não sou super crente. Sou normal. Nem sempre consigo ser o que deveria ser como discípulo. Erro muitas vezes e preciso pedir perdão.

Com esta situação surgiu este blog. Espero que seja o começo das bênçãos que Deus quer através de mim. Que ao invés de falar apenas para uma igreja, possa falar para muito mais pessoas. E que muitos aceitem Cristo como Salvador. O plano de Deus.

Certamente tem as surpresas de Deus pela frente.

Pr.HWRosin.

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